12/08/2018

Sobre deficiência e o mercado de trabalho: uma reflexão filosófica


 Lucas Antonio Ferreira
Estudante de Ciências Sociais da UFPR

    O dia do trabalho, para mim, configura-se todos os anos como uma data lúgubre, tristonha, melancólica. Não consigo escrever sobre a história dos movimentos trabalhistas; não consigo falar sobre as conquistas dos trabalhadores de todo o mundo, tampouco demonstrar o otimismo incorrigível daqueles que veem nessa data um marco de reconhecimento e respeito ao trabalhador. Não; nesse caso, sou um eterno pessimista.
     No ano passado, em 1º de maio, eu questionei, através de um artigo, as horríveis condições de trabalho das pessoas com deficiência no país, e fui mais além: sem subterfúgios, falei de uma forma desassombrada sobre as enormes dificuldades que enfrentamos no mercado, sendo muitas vezes vistos como funcionários sem valor, incapazes de desempenhar qualquer função.
   Disse, sem muita convicção, que esperava escrever, neste ano, um texto menos pessimista. Entretanto, não consigo. Não posso simplesmente deixar de pensar em todos os problemas de dignidade e de falta de oportunidade que nos rondam sempre.
Somos pessoas com deficiência; para o mercado, talvez, sejamos apenas mecanismos imperfeitos que tendam se adequar à cruel máquina do capital. Não, não sou socialista; nem comunista, nem qualquer "ista" que me queiram imputar.
     Sou, apenas, alguém que luta por direitos sociais para minha classe. Direito à cidadania, à educação... mas também ao trabalho, trabalho digno e seguro. Eu sei o que você talvez esteja pensando, leitor; em seu íntimo, decerto está lembrando de um cego, ou surdo, ou cadeirante de suas relações, que trabalha em igualdade de condições com os demais. Sim, esses casos existem; mas podemos afirmar seguramente que são uma pequeníssima minoria. No Brasil e no mundo, infelizmente, ainda somos desprezados dentro das empresas, jogados para lá e para cá sem rumo nem esperança.
     Lutamos por respeito, por dignidade, por trabalho, por tudo. Nossos esforços, todavia, de pouco adiantam. Temos a LBI, ferramenta extremamente importante criada no governo Dilma para nos fornecer amplo amparo legal em nosso cotidiano, nas tantas vezes em que temos de brigar para garantir qualquer direito básico. Mas será suficiente? Garanto-vos que há muito o que melhorar, muito o que fazer até que possamos dizer que o Brasil é um país onde a inclusão é plenamente feita na prática. E a coisa não para por aí. Eu seria muito egoísta se, no dia de hoje, me limitasse a escrever apenas acerca das dificuldades dos deficientes na sociedade de mercado na qual vivemos.
      É preciso mencionar os demais excluídos, os demais marginalizados do sistema, os tantos e tantos componentes do lumpesinato hoje. "Lumpesinato? Que raio é isso?"
    Quando ouvi tal expressão pela primeira vez, senti certa estranheza: "teria ouvido direito? Que negócio era aquele?" Estávamos na primeira semana de aulas, e o professor, um senhor simpático, bonachão e de inconfundível sotaque, falava sobre as relações de trabalho. De repente, diz: "Porque o lumpesinato bla, bla, bla...". Não pude prestar atenção no restante da sentença. Rapidamente, sim, no mesmo momento, pesquisei na internet sobre aquilo; seria difícil continuar à acompanhar a aula sem entender aquele conceito. E a definição é muito simples! Em verdade, "lumpesinato" é apenas um nome pomposo para algo que está presente desde o início da sociedade.
     A grande camada social pobre, sem recursos, trabalho formal ou consciência política é, segundo teorias da sociologia, chamada "lumpesinato". E como está tal classe no Brasil? Infelizmente, tem aumentado muito nos últimos anos. Em Curitiba, mesmo, podemos notar sem grande esforço um número cada vez maior de pessoas recorrendo ao trabalho informal a fim de garantir a subsistência para si e para os seus. São vendedores de doces, confeitos, chaveiros, água... viajando em nosso transporte público, dia a dia tentando ganhar algum dinheiro. Estão também nos semáforos, esquinas, praças, sobrevivendo numa cidade que, tantas vezes, não os acolhe como cidadãos.
    A realidade atual é triste; pessoas com deficiência, imigrantes, indígenas e tantos outros grupos vivem, em sua maioria, a margem do mercado. Não conseguem um trabalho digno, nem tampouco uma oportunidade de emprego onde possam se desenvolver como sujeitos de sua própria história. Há alguma solução?

17/06/2018

O problema ético do aborto no Brasil

Por:Ohayna Lisboa
(aluna do ensino médio no colégio estadual Ivo Leão - Curitiba-Pr)


Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br

          A interrupção proposital de uma gravidez através da falência e retirada do feto é denominado aborto, um tema que fere questões morais, religiosas e culturais. A prática pode levar as mulheres a morte, ou caso sejam denunciadas, serem exclusivamente punidas pela legislação. 
          De acordo com estatísticas mundiais da ONU (Organização das Nações Unidas), 78% dos abortos são realizados em países subdesenvolvidos e 22% em desenvolvidos, sendo no Brasil a quinta maior causa de morte de mulheres. Das aproximadamente 800 mil mulheres que abortam anualmente, dessas, 200 mil tem alguma complicação e recorrem a hospitais. Pelas pesquisas do Ministério da Saúde, a cada dois dias há uma morte por complicações geradas pela prática clandestina sem ajuda de um profissional. 
          A lei determina que são praticas legais os abortos realizados nos seguintes casos: gravidez gerada de estupro, fetos anencefalia e risco de vida da mãe. Segundo o artigo 128, qualquer aborto que esteja fora dessas situações é considerado crime. Aquelas que abortam, caso sobrevivam, são denunciadas e presas, acusadas sozinhas. Seus parceiros não são considerados criminosos pelo código penal, mesmo tendo participação crucial sobre a gravidez. As mulheres também correm risco de vida, saúde e de serem detidas, enquanto seus parceiros ficam livres de quaisquer acusações. 
          O aborto não é uma prática ética e permitir que mulheres morram também não, portanto, a legalização não diminuiria a prática abortiva, porém, faria com que os índices de mortes de mulheres caíssem consideravelmente. Caso fosse legalizado, aquelas que optassem pelo aborto, teriam que passar por aconselhamento psicológico para obter certeza da escolha. Após o aborto, seguir utilizando os métodos contraceptivos. 

11/06/2018

O problema ético do Aborto no Brasil

Por: Camila Vitória Xavier
(aluna do ensino médio no colégio estadual Ivo Leão - Curitiba-Pr)

Fonte: https://revistatrip.uol.com.br/tpm/precisamos-falar-sobre-aborto

          A interrupção da gravidez pela remoção do feto de seu desenvolvimento uterino é chamada de aborto. Precisa-se urgentemente de uma solução para diminuir o número de mulheres que morrem durante a realização da prática clandestina e a prisão das que são descobertas. 
          O aborto está entre os cinco problemas que mais matam mulheres no Brasil. A prática é proibida pela legislação e permitida apenas em casos de estupro, risco à vida da mãe e fetos anencéfalos. Muitas mulheres que realizam a prática clandestinamente não tem condições de criar a criança, não tem apoio do pai e/ou família, são ricas ou apenas não desejam ter o bebê e acabam recorrendo a métodos perigosos como; uso de remédios ou em clínicas que não possuem infraestrutura para realizar o procedimento, podendo levar as mulheres a óbito. 
          Para Débora Diniz, pesquisadora da Anis, "A cada um minuto uma mulher faz aborto no Brasil" - (publicado em 5 de novembro de 2016 pela revista Carta Capital). Se todas essas mulheres que realizam o aborto fossem presas, 525,600 mulheres seriam presas por ano. E os pais dos bebês abortados? O que acontece com eles? Nada, a lei é aplicada apenas para as mulheres e, então, o pai fica livre e a mãe presa. 
          Portanto, legalizar o aborto não significa influenciar as mulheres a realizá-lo, mas que campanhas de educação sexual e prevenção sejam reforçadas para evitá-lo. O aborto e um direito das mulheres decidirem o que querem para a vida e o corpo delas. O Estado deveria dar essa opção para as mulheres, evitando assim, serem presas ou mortas.