09/08/2019

Redação sobre Ética: Antídoto da violência

Estudante Beatriz Souza
Colégio Ivo Leão - Curitiba


https://filodivague.wordpress.com/2016/05/30/la-relacion-entre-el-arte-y-la-etica/


           Quando o assunto é violência, nós já nos deparamos com a questão do porquê. Será que é o indivíduo? O modo como que ele pensa? A falta de conhecimento? São perguntas nada fáceis de responder. Mas se olharmos para o pensamento de dois grandes filósofos como Aristóteles e Kant, descobriremos coisas que podem nos surpreender e mudar nossa forma de entender a finalidade das ações humanas. Quem sabe seja possível até mudar nossa forma de pensar e agir. 

          Muitas pessoas acreditam que encontrarão a felicidade mesmo sendo violentas. Aristóteles pensava que a felicidade é a finalidade das ações do ser humano. Mas não será obrigando os outros a fazer o que queremos. Para alcançar a felicidade necessitamos aprender a sermos virtuosos, e a virtude só é alcançada com o exercício da prudência, ou seja, com o parar e refletir. A virtude seria o equilíbrio do desejo natural de alcançar o prazer. A ética aristotélica seria o alcance da virtude, por meio da prudência, que levaria a felicidade. Graças a isso, uma das consequências é se afastar de atitudes que tem como efeito a dor, o sofrimento, ou seja, a violência contra os outros. 
           Já Immanuel Kant preferia a ideia de que a finalidade do ser humano é o dever. Fazer perguntas como "o que devo fazer?" ou "como devo agir?". Para ele, existem dois conceitos centrais da razão humana: um seria a razão teórica, voltada para o conhecimento; o outro seria a razão prática, voltada para a ação. Esses dois conceitos centrais não ficam separados, pois um depende do outro. Não podemos agir sem conhecer, e não adianta ter conhecimento e não usá-lo. Conhecendo a filosofia de Kant, ao invés de agir com violência, as pessoas poderiam seguir o pensamento de que "se a minha ação pode ser repetida por outros, então ela deve ser ética". 
           Concluímos que esses conceitos fundamentais dos dois filósofos são de grande utilidade em nossas vidas, principalmente em locais de conflitos e possibilidade de pessoas agirem com violência. Nos locais de trabalho, por exemplo, se reformularmos o conceito de ética para algo mais prático e simples, que seria o pensar antes de agir ou a ideia de somente praticar uma ação que outros possam praticar, a cooperação entre colegas seria algo mais tranquilo e pacífico. Isso levaria a uma redução significativa nos índices de violência da sociedade.


15/06/2019

Redação: A conversão da arte

Estudante Laryssa Bahia
Colégio Ivo Leão - Curitiba

https://www.significados.com.br/arte/

A arte é algo que diferencia o ser humano em relação aos outros animais.  Raciocinar antes de agir e expressar nossos sentimentos artisticamente são formas de ocupar a mente e o tempo. Mas não foi o caso do massacre em Suzano (SP) e na Sinagoga da Nova Zelândia. Os indivíduos que causaram aquelas violências não se expressaram de uma forma saudável. Ao invés de matar pessoas, eles poderiam ter encontrado na arte um antídoto para os conflitos que provavelmente estariam vivendo.
       Observa-se que a violência dos atentados em Suzano e na Sinagoga são uma amostra da devastação causada pelo ódio e a intolerância. Em Susano, principalmente, vidas foram brutalmente violentadas, mesmo sendo ainda muito jovens. Não tiveram sequer a chance de entender a “razão” daquilo. Se é que existe alguma. Tanto que quase toda a sociedade brasileira passou a se sentir revoltada e indignada pela grande dificuldade de suportar e superar tal episódio.
No entanto, infelizmente, os casos de Susano e da Sinagoga não são uma novidade. Ao se investigar mais profundamente, é possível encontrar muitas escolas do Brasil em que ocorrem ameaças. O problema é que muitos jovens acabam se camuflando em meio ao sofrimento e baixa autoestima. Com o passar do tempo, frequentando redes sociais de culto à violência e conversando com outros jovens com os mesmos problemas, podem vir a agir com agressividade, se tornando agressores em potencial.
Portanto, por meio da arte, problemas como esse não seriam tão comuns como vem sendo, já que esses jovens estariam ocupando o tempo com peças de teatro, filmes, músicas, pinturas e até palestras de superação. A arte é, sem dúvida, uma possibilidade na diminuição de situações de bullying, racismo e preconceito dentro das escolas. E essa diminuição é muito benéfica a toda a sociedade, que consequentemente passa a ter menos pessoas morrendo devido ao ódio e a intolerância.

15/05/2019

Resenha: Peixes coloridos de Alto-Mar (Paulo Sandrini)

Por: Everton Marcos Grison


            Parece ser o movimento, no sentido pensado por Heráclito na Grécia antiga. O deslocamento do Ser e as intempéries estonteantes que representa a realidade mais imediata, o acontecimento diante dos olhos. É assustadoramente crível perceber que o ser humano é um movimento de “arremedo de si mesmo”, o pior que podia ser após uma chuva ácida desastrosamente gerada pela mesquinhez, egoísmo, destruição e individuação, expressões que nos definem enquanto seres caminhantes e defecantes.
            É no sentido de Thomas Hobbes e sua concepção de uma natureza humana má, que precisa dos freios do Estado, desse Leviatã que lhe controla a vida, os prazeres e aplica os desprazeres, pois soltos a própria sorte somos o pior do que podia ser. Parece o suprassumo da maledicência, da catástrofe anunciada, do grito das bocas silenciadas que insistem em dizer que somos uma total aberração cognitiva e causamos vergonha aos seres irracionais.
            O livro é movimento, tapa na cara e assalto de consciência. Lembra muito o cuidado linguístico de Dante Alighieri, que aparece citado na obra. Este mar com peixes coloridos em festa vem antes ou depois do Inferno da Divina Comédia? Certamente não estão relacionados à subida cansativa do Purgatório, que literamente cansa de ser lido, ou a monotonia do Amor de Dante e Beatriz no Céu. O Céu é sem graça e Dante faz questão de registrar isso.
            Sandrini elabora um livro apimentado por uma excelente carreira literária, trajeto de militância que não se arvorou aos ditames do mercado editorial, para estar na lista dos mais vendidos. Poderíamos dizer que é o autor que vai ser realmente reconhecido depois de morto. Eis uma das nossas facetas do quanto somos ridículos e fracos, do quanto carregamos a pedra como Sísifo na mitologia e no livro de Albert Camus, mesmo sabendo que vai dar sempre no mesmo e o resultado está traçado.
            Por vezes é o movimento do ódio e para saber trabalhar com isso é preciso mãos de aço. Sandrini nesta obra parece um observador que colocou uma capa de chuva, e está vendo as manchas aparecerem pelo corpo, enquanto anota tudo o que vê e aquilo que sente, do belo mundo que seus olhos presenciam. As cenas são muito fortes e, portanto, verdadeiras.
            A força da imagem transmitida pelas palavras lembra José Saramago e seu Ensaio sobre a Cegueira, mas com uma diferença muito específica: peixes coloridos de alto-mar é mais perverso. A força da imagem em movimento lembra o cuidado com a cena orquestrado por Raduan Nassar, nas obras: Um copo de Cólera e Lavoura Arcaica. Na verdade, a força da palavra se impõe dizendo: “chega de me comparar com os outros. Ninguém fez igual a mim. Audácia é para poucos e eu tive coragem de colocar tudo isso no papel. O embrulho queima. Pegue-o”.
            O livro, publicado pela Editora Kafka (Kafka teria orgulho dessa obra), possui 170 páginas, com um interessante texto de abertura (prefácio não é. Introdução não é. Enfim...) de Fernando Koproski, que ressalta: “É aquele tipo de livro que me faz acreditar em Literatura apesar da tamanha descrença desses tempos em que vivemos”. Essa mesma crença nos mobilizou a escrever essas parcas linhas, para dizer que o livro é um clássico. Provavelmente Nietzsche diria: é um extemporâneo. Cuidado,  pois a chuva se aproxima e as manchas começam a fisgar! Esperamos não ter estragado a festa. Do contrário, usem a automática com a mão firme e sem titubear.