01/09/2019

Redação: Como a arte e a cultura podem resolver a violência?

Estudante Camila Perussulo Sauim
Colégio Ivo Leão - Curitiba
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É inegável que houve aumento na cultura de violência, e que muito foi comentado sobre massacres e atentados nos últimos tempos, principalmente sobre o ocorrido em Suzano (SP) e na Nova Zelândia. Isso entra em contraste com o comportamento humano, moldado através dos séculos de incentivo da violência. Por isso, a sociedade atual necessita mudar. O que é possível com valorização da reflexão e das artes, a fim de haver uma maior conscientização de como as atitudes de cada um impactam na vida dos outros.
Com a divulgação dos acontecimentos em veículos de comunicação, grande parte dos internautas romantizaram um morticínio. Isso levanta a seguinte questão: como evitar pensamentos de ódio e violência? Uma alternativa plausível de canalização desses pensamentos seria com a intervenção da arte, usando como forma de manifestação, seja por escrita, desenhos ou dança que explora a sensibilidade e estimula a criatividade.
A arte é um fator necessário para a vida humana. Se retirada da alma é impossível de se viver e expulsar sentimentos presos, qualquer que sejam. Quando se desperta a curiosidade e paixão, pode também facilitar um movimento de reflexão e conscientização sobre o que une as pessoas. Essa conscientização gera um impacto positivo e uma transformação é percebida, trabalhando a expressão, subconsciente, comunicação e ideias, seja no individual ou no coletivo.
 Percebe-se que a maneira mais eficiente de combate à violência é investindo em cultura, na propagação da arte, para que os indivíduos aprendam a se expressar, falar sobre seus sentimentos e evitar com que traumas ou acontecimentos reprimidos sejam gatilhos para futuros incidentes, tais como o de Suzano e Nova Zelândia. Com medidas socioeducativas, projetos de dança, entre outros, seria um bom começo para evitar a perpetuação de atitudes negativas.

15/08/2019

Resenha: "Desigualdade" de Eduardo Moreira


Por: Jonas J. Berra


       Sabe-se que ao longo do século XX o capitalismo se tornou predominante no mundo ocidental com base em valores liberais como a liberdade, a iniciativa privada e a competitividade. Foi a partir desses valores que o homem ocidental foi se tornando cada vez mais individualista e egoísta, contra os valores do coletivismo que predominava nas sociedades tribais mais antigas. É em defesa de uma sociedade em que as pessoas sejam menos individualistas e egoístas é que Moreira propõe uma crítica ao que ele considera o maior problema do Brasil: a desigualdade.
         Seria muito bom se a tese de Eduardo Moreira fosse analisada por todos de um modo menos preconceituoso e mais racional. Afinal, não se trata de um astrólogo, ator pornô ou youtuber teen, mas um ex-banqueiro de investimento que tem a experiência real sobre um mundo de injustiças e desigualdades.
          Na obra “Desigualdade”, ele apresenta um pouco de sua trajetória desde a saída do mercado financeiro até se dedicar ao entendimento das comunidades que vivem em situação de vulnerabilidade social.
       Moreira propõe uma nova forma de compreender a riqueza, não em termos de dinheiro, individualismo e exclusão, mas recursos, comunidade e inclusão. Afinal, “vivemos no país que possui a maior desigualdade social do mundo, com 1% mais rico concentrando a maior parcela do total da renda gerada” (MOREIRA, 2019, p. 26).
      Dentre as vantagens ou qualificações da obra está o fato de que foi escrita principalmente voltada ao público leigo em economia. Dessa forma, pode ser usada como uma fonte de estudos inicial. Além disso, possibilita que pessoas dos diferentes níveis culturais leiam e compreendam onde o autor pretende chegar com suas ideias.
        Mas aí que está o “calcanhar de Aquiles” por assim dizer. O que não é um erro, porque provavelmente tenha sido intencional. Mas Moreira não coloca fontes bibliográficas. O texto todo parece ser um relato pessoal de sua experiência real, juntando com teorias econômicas e sociais que para quem vem da academia, salta aos olhos que não são ideias novas. Porém, por não ter referências parecem ser ideias do próprio Moreira. São evidentes ideias fundamentais de Rousseau e Marx, por exemplo. Parece uma tentativa de não se vincular às esquerdas. O que como estratégia pode ser válida, mas que coloca em xeque a cienticidade de suas ideias, já que é muito fácil acusá-las de não terem base teórica e não passarem de senso comum.
           Essa prática de não citar e escrever textos livres, contudo, levanta uma inquietação, que é a de se parecer com o texto de outros autores, de ideologia oposta, e que se utilizam de práticas anticientíficas por desprezarem o saber acadêmico e as letras. O que seria muito injusto, para quem conhece o discurso e acompanha a vida de Eduardo Moreira.
            O fato de não citar grandes economistas e filósofos parece uma técnica para pegar os iletrados desprevenidos, os fazendo ler a respeito daquilo que já tacharam de esquerdismo. Por essa razão, é uma obra que possui um grande mérito e pode contribuir muito com o desenvolvimento de um novo modo de pensar a economia brasileira fora de caixinhas ideológicas. 

MOREIRA, Eduardo. Desigualdade & caminhos para uma sociedade mais justa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.